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☩ ✠ NVLLVOX ✠ ☩19d ago
Irmão, fico feliz que concordemos em tantos pontos. O ponto meu ponto é: onde a própria Escritura ensina que somente ela é a regra infalível de fé? Não falo de textos que exaltam a Escritura, pois nisso concordamos plenamente, mas de uma passagem que diga que apenas o texto escrito é autoridade final, excluindo qualquer instância interpretativa vinculante da Igreja. Quando Paulo manda conservar as tradições, seja por palavra, seja por carta (2 Ts 2,15), ele coloca tradição oral apostólica no mesmo nível de obrigatoriedade que o escrito. Se a tradição oral devia ser guardada, então a autoridade *não estava restrita ao texto*. Sobre os bereanos, eles examinaram as Escrituras, sim, mas estavam ouvindo um apóstolo com autoridade recebida diretamente de Cristo. Depois de crerem, passaram a integrar a comunidade apostólica. O texto não ensina que cada cristão se torna autoridade final sobre a interpretação, apenas mostra que a pregação apostólica estava em continuidade com a revelação anterior. Em Atos 15 vemos algo ainda mais importante. Surge uma controvérsia doutrinária séria. Os apóstolos e presbíteros se reúnem, debatem e emitem uma decisão que é enviada às igrejas como obrigatória, iniciando com “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”. Se o princípio fosse resolver tudo apenas pela leitura individual da Escritura, por que essa estrutura conciliar com decisão vinculante? Outra questão é a unidade. Se toda autoridade humana pode apostatar, inclusive grupos inteiros, então quem garante a preservação da doutrina ao longo dos séculos? Cristo prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Isso implica alguma forma de assistência divina que preserve a Igreja no essencial da fé, não apenas indivíduos. Quanto a Pedro, concordo que todos os apóstolos tinham autoridade. Mas em Mateus 16 ele recebe algo específico: mudança de nome e as chaves do Reino. Em Isaías 22, a chave simboliza autoridade administrativa singular. Além disso, em Atos 15 Pedro toma a palavra decisiva antes da formulação final. Não se trata de negar o papel dos outros, mas de reconhecer uma primazia dentro do colégio apostólico. Por fim, dizer que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade apenas porque testemunha com sangue parece reduzir o texto. Paulo não diz que ela testemunha a verdade, mas que ela a sustenta. Isso aponta para uma função estrutural, não apenas missionária. Minha dificuldade com a Sola Scriptura não é por desprezar a Bíblia, mas porque vejo na própria Escritura elementos que apontam para uma autoridade viva, assistida pelo Espírito, que interpreta e preserva o depósito da fé. Não pretendo prolongar esse debate, e muito menos mudar minha posição de fé. Que Cristo nos ilumine para que encontremos ambos a Verdade.
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elnardosa19d ago
Pense na postura de Jesus perante o Sinédrio. O Sinédrio é o Magistério Judeu que produz o Talmude, a tradição oral rabínica, e conserva os escritos massoréticos do Velho Testamento, certo? Jesus desprezou o modo como a tradição suplantava a Escritura e fazia questão de manter uma postura conservadora com ẽnfase na escritura. Quando Jesus citou algum rabino? Se ele citou foi só para contradizer: "Ouviste o que disse os [rabinos] antigos? [...] Eu, porém, vos digo..." Fica clara a postura de colocar a tradição no seu devido lugar. Resumo: o magistério e a tradição podem ser questionada, mas você viu Jesus questionando as escrituras? Então temos aqui uma evidência de superioridade autoritativa. Obviamente ninguém aqui está defendendo rebelião às decisões tomadas pelos líderes religiosos, somente sujeição naquilo que eles mesmos são sujeitos à Bíblia e todos estão autorizados a desobedecer a liderança, como Pedro mesmo falou diante do Sinédrio que convém obedecer a Deus e não a homens, quando ele lhes mandou não pregar em nome de Jesus. Por isso os católicos dizem que os protestantes obedecem a tradição interpretativa católica, sim, naquilo que for coerente não só obeceremos hoje, mas sempre porque tem que ver a Bíblia e não com a opinião de pessoas. A tradição apostólica é algo restrito à época e lugar. Você citou a carta à Tessalônica, qual era a tradição dos apóstolos ali? Parar de viver ocioso e ocupar o tempo como que for útil. Os tessalonicenses, em sua maioria, poderiam ser pessoas razoavelmente abastadas, possivelmente muito tinham economias que eram suficientes para vier sem depender do trabalho. Lá Paulo deu o exemplo de trabalhar fazendo tendas para ensinar o valor do trabalho para um público alvo que ficava a maior parte do tempo ocioso. Esse ócio trazia muitos problemas, as pessoas começavam a se meter nos negócios alheios, a andar falando e fazendo o que não devem. Isso ele não precisava dizer em outros lugares porque já havia uma cultura forte voltada para o trabalho. Em Corinto a tradição era o uso do véu num contexto de prostituição cultual forte e as sacerdotisas pagãs se convertendo e precisando de tempo para mudar seus cortes de cabelo e ocultavam com véu. Uma coisa que precisa ficar clara, tradição não é ponto de salvação, a mulher que não usasse véu não seria condenada por isso e nem o homem que não trabalhasse. Ninguém é salvo por obras, nem da lei da escritura, imagine por obras da tradição. Deixa eu ver se eu entendi: quem tem autoridade é a pessoa que lê? Pela minha percepção, quem lê e obedece é servo e não senhor. A autoridade é do Senhor e não de quem recebe a palavra. Seria o mesmo que dizer que quem ouve um profeta de Deus é está exercendo uma função de autoridade passiva, só por escutar e assimilar aquilo. Ou quem lê o diário oficial do governo tem autoridade porque leu e interpretou o decreto do presidente. Deus é a autoridade e a segurança está nos registros escritos e não na boca de pessoas falhas. Quem quer que fale contradizendo os escritos de Deus está errado, seja quem for. "Ah mas foi Deus quem chamou". Deus chamou Judas e lhe deu autoridade também e ele cedeu à avareza, Deus falou através de Balaão no passado e ele ensinou os moabitas a como amaldiçoar o povo de Deus por amor ao dinheiro, Deus constituiu o sacerdote Eli com o óleo sagrado da unção para consagrá-lo com autoridade e ensinador da nação, e ele não ensinava nem mesmo seus filhos, que faziam tudo errado no sacerdócio porque era um negligente, os juízes estabelecidos por Samuel aceitavam suborno mesmo tendo sido consagrados para isso, e os reis ungidos também, nem se fala... Por isso e por outras, eu confio só na Bíblia. Paulo poderia cair e apostatar, muitas vezes ele falou sobre a preocupação em perseverar, para "mesmo tendo pregado a muitos, seja eu mesmo desclassificado". Autoridade viva? Só mesmo o Deus Vivo, aquele que não pode mentir. E maldito aqueles que confiam no homem, assim diz a escritura. Eu também não sou contra a tradição em si, todos têm sua tradição particular, familiar, etc, mas a autoridade da escritura é superior e as tradições podem ser removidas, a Palavra, nunca, nem que o Cèu e a terra passem, nem um til ou jota. A tradição também não pode ser usada para julgar as pessoas, e nenhuma tradição será usada como base legal para julgar no Tribunal Celestial, ali estará somente o evangelho, Paulo falou isso, que todos serão julgados segundo o evangelho. Por isso não fico nem um pouco preocupado se ignoro qualquer tradição, eu não vou me perder por isso.
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