ExploreTrendingAnalytics
Nostr Archives
ExploreTrendingAnalytics
elnardosa19d ago
Pense na postura de Jesus perante o Sinédrio. O Sinédrio é o Magistério Judeu que produz o Talmude, a tradição oral rabínica, e conserva os escritos massoréticos do Velho Testamento, certo? Jesus desprezou o modo como a tradição suplantava a Escritura e fazia questão de manter uma postura conservadora com ẽnfase na escritura. Quando Jesus citou algum rabino? Se ele citou foi só para contradizer: "Ouviste o que disse os [rabinos] antigos? [...] Eu, porém, vos digo..." Fica clara a postura de colocar a tradição no seu devido lugar. Resumo: o magistério e a tradição podem ser questionada, mas você viu Jesus questionando as escrituras? Então temos aqui uma evidência de superioridade autoritativa. Obviamente ninguém aqui está defendendo rebelião às decisões tomadas pelos líderes religiosos, somente sujeição naquilo que eles mesmos são sujeitos à Bíblia e todos estão autorizados a desobedecer a liderança, como Pedro mesmo falou diante do Sinédrio que convém obedecer a Deus e não a homens, quando ele lhes mandou não pregar em nome de Jesus. Por isso os católicos dizem que os protestantes obedecem a tradição interpretativa católica, sim, naquilo que for coerente não só obeceremos hoje, mas sempre porque tem que ver a Bíblia e não com a opinião de pessoas. A tradição apostólica é algo restrito à época e lugar. Você citou a carta à Tessalônica, qual era a tradição dos apóstolos ali? Parar de viver ocioso e ocupar o tempo como que for útil. Os tessalonicenses, em sua maioria, poderiam ser pessoas razoavelmente abastadas, possivelmente muito tinham economias que eram suficientes para vier sem depender do trabalho. Lá Paulo deu o exemplo de trabalhar fazendo tendas para ensinar o valor do trabalho para um público alvo que ficava a maior parte do tempo ocioso. Esse ócio trazia muitos problemas, as pessoas começavam a se meter nos negócios alheios, a andar falando e fazendo o que não devem. Isso ele não precisava dizer em outros lugares porque já havia uma cultura forte voltada para o trabalho. Em Corinto a tradição era o uso do véu num contexto de prostituição cultual forte e as sacerdotisas pagãs se convertendo e precisando de tempo para mudar seus cortes de cabelo e ocultavam com véu. Uma coisa que precisa ficar clara, tradição não é ponto de salvação, a mulher que não usasse véu não seria condenada por isso e nem o homem que não trabalhasse. Ninguém é salvo por obras, nem da lei da escritura, imagine por obras da tradição. Deixa eu ver se eu entendi: quem tem autoridade é a pessoa que lê? Pela minha percepção, quem lê e obedece é servo e não senhor. A autoridade é do Senhor e não de quem recebe a palavra. Seria o mesmo que dizer que quem ouve um profeta de Deus é está exercendo uma função de autoridade passiva, só por escutar e assimilar aquilo. Ou quem lê o diário oficial do governo tem autoridade porque leu e interpretou o decreto do presidente. Deus é a autoridade e a segurança está nos registros escritos e não na boca de pessoas falhas. Quem quer que fale contradizendo os escritos de Deus está errado, seja quem for. "Ah mas foi Deus quem chamou". Deus chamou Judas e lhe deu autoridade também e ele cedeu à avareza, Deus falou através de Balaão no passado e ele ensinou os moabitas a como amaldiçoar o povo de Deus por amor ao dinheiro, Deus constituiu o sacerdote Eli com o óleo sagrado da unção para consagrá-lo com autoridade e ensinador da nação, e ele não ensinava nem mesmo seus filhos, que faziam tudo errado no sacerdócio porque era um negligente, os juízes estabelecidos por Samuel aceitavam suborno mesmo tendo sido consagrados para isso, e os reis ungidos também, nem se fala... Por isso e por outras, eu confio só na Bíblia. Paulo poderia cair e apostatar, muitas vezes ele falou sobre a preocupação em perseverar, para "mesmo tendo pregado a muitos, seja eu mesmo desclassificado". Autoridade viva? Só mesmo o Deus Vivo, aquele que não pode mentir. E maldito aqueles que confiam no homem, assim diz a escritura. Eu também não sou contra a tradição em si, todos têm sua tradição particular, familiar, etc, mas a autoridade da escritura é superior e as tradições podem ser removidas, a Palavra, nunca, nem que o Cèu e a terra passem, nem um til ou jota. A tradição também não pode ser usada para julgar as pessoas, e nenhuma tradição será usada como base legal para julgar no Tribunal Celestial, ali estará somente o evangelho, Paulo falou isso, que todos serão julgados segundo o evangelho. Por isso não fico nem um pouco preocupado se ignoro qualquer tradição, eu não vou me perder por isso.
💬 1 replies

Thread context

Root: 5912a85d7cd4…

Replying to: 3bfac6484bee…

Replies (1)

☩ ✠ NVLLVOX ✠ ☩19d ago
Irmão, acho que aqui precisamos fazer uma distinção essencial. Quando Jesus confronta o Sinédrio, Ele não está condenando toda tradição, mas as tradições humanas que anulavam o mandamento de Deus (Mc 7,8). O problema não era existir tradição, mas tradição que contradizia a revelação divina. Se o princípio fosse “somente o escrito é autoridade”, então o próprio Antigo Testamento estaria em dificuldade, porque durante séculos a revelação foi transmitida oralmente antes de ser escrita. A fé de Israel não começou com um livro encadernado, mas com uma tradição viva. Sobre 2 Tessalonicenses 2,15, o texto não diz que as tradições orais eram circunstanciais ou culturais. Paulo manda conservá-las. O mandamento não é “conservem enquanto eu estiver vivo”, mas simplesmente “permanecei firmes”. Se essas tradições não tinham caráter normativo duradouro, por que o apóstolo ordenaria que fossem guardadas com a mesma força do que foi escrito? Quanto à confiança exclusiva no texto, surge mais uma questão: quem definiu quais livros compõem a Bíblia? A própria Escritura não traz uma lista inspirada de seus livros. O reconhecimento do cânon foi um processo eclesial. Se toda autoridade humana é falível a ponto de não poder transmitir fielmente a revelação, como podemos ter certeza de que o Novo Testamento que você segura é o correto? Sobre Judas, Balaão, Eli e os reis infiéis: a existência de líderes infiéis não anula a instituição da autoridade. Havia maus reis em Israel, mas o trono de Davi continuava sendo instituição divina. Havia sacerdotes corruptos, mas o sacerdócio não foi abolido por isso. O abuso não destrói o princípio. Quando você cita “maldito o homem que confia no homem”, o contexto fala de confiar no homem no lugar de Deus. Se levado de forma absoluta, ninguém poderia confiar nem mesmo nos apóstolos, nem nos evangelistas que escreveram os textos sagrados. A questão central é: Cristo prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16,18) e que estaria com ela até o fim dos tempos (Mt 28,20). Isso mostra assistência contínua, não apenas inspiração pontual de textos. Se a segurança está apenas no registro escrito, mas cada pessoa pode interpretá-lo, então a unidade visível da Igreja depende da capacidade individual de interpretação. Porém, Cristo orou para que fossem um (Jo 17,21). A fragmentação histórica do protestantismo mostra que o princípio da interpretação individual, mesmo com boa intenção, não preserva essa unidade. Não se trata de colocar tradição acima da Escritura. A posição católica é que Escritura, Tradição e Magistério formam um único depósito da fé, inseparáveis. O Magistério não cria verdade nova, mas serve ao depósito recebido. Se a tradição não será usada como critério no juízo, então a própria decisão sobre quais livros são Escritura também não poderia ter autoridade vinculante, pois essa decisão foi tradicional e eclesial. A questão não é “confiar no homem”, mas crer que Cristo é poderoso o suficiente para preservar Sua Igreja no essencial da fé ao longo da história.
0000 sats