«A simplicidade é um evangelho difícil de pregar para uma cultura que se tem apaixonado pela ideia de que só se pode se ter fé quando, ao mesmo tempo, se exibe algum ceticismo. Ora, este pregador que vos escreve não tem pachorra para esse ilu-sionismo simplório disfarçado de humildade epistemológica. Se estou certo de que há uma diferença entre crença e crendice, também estou certo de que disfarçar a fé com a roupa da des-crença só serve para fãs de shows de travesti. Não esperem que eu compre o ingresso. Este é um livro de um crente que quer impingir sua crença a quem ainda não a tem. Este é um livro de um crente que acredita sinceramente que o seu credo é a diferença entre a vida e a morte.»
«Tendo dito isso, talvez eu não seja assim tão intragável ao longo das páginas. De qualquer modo, o melhor é proteger o pescoço. Pelo que sei, este é o primeiro livro que explora o lado vampiresco de Lutero — ele está aqui para nos fincar os dentes. A ironia é que geralmente os vampiros fogem da cruz, mas este nos aproxima dela.»
Tiago Cavaco, Cuidado com o Alemão: três dentadas que Martinho Lutero dá à nossa época, pág. 28