ExploreTrendingAnalytics
Nostr Archives
ExploreTrendingAnalytics
elnardosa19d ago
O irmão possui um nível alto de argumentação. Parabéns. Melhor do que falar com aqueles que dizem que lhes disseram. O diálogo ajuda a derrubar preconceitos. Ficou claro que os católicos não desprezam as Escrituras e também quero os protestantes não desprezam a liderança cristã. Não há porque a gente pensarmos o contrário. Os pontos: - Católicos e protestantes possuem tradições, inclusive teológicas. - Católicos sacralizam a tradição, protestantes, não (alguns até fazem isso, sempre tem exceções) - Católicos acreditam que serão condenados se não seguirem as tradições, protestantes, não. - Católicos têm um magistério inquestionável, protestantes tem referências acadêmicas de teologia questionável Agora respondendo algumas coisas: Autoridade antes de Bíblia: Deus falava com o povo, Ele falou até com gente não consagrada como Caim antes de matar seu irmão e até depois. A relação de Deus com as pessoas era mais próxima, e além de receber a educação religiosa dos pais, era bem provável que muitos homens tiveram experiências próprias com Deus. Diferente de se restringir a um magistério, um número reduzido e especial de pessoas, Deus falava com as pessoas que o buscavam. Até antes do dilúvio era dito que o Espírito de Deus estava agindo nos homens. As pessoas sabiam a vontade de Deus para elas, e, obviamente, o que Deus exigia das pessoas que viviam no tempo anterior à Bíblia era muito mais simples. Quanto menos conteúdo, menor a probabilidade de distorção. Também pode-se argumentar as maravilhosas capacidades de memorização das primeiras gerações que tiveram o cérebro menos afetado pelas consequências do pecado. Será que estou distorcendo as cartas de Tessalonicenses? Vamos lá. Paulo chega numa cidade de pensadores e filósofos, muitos deles abastados e que passavam o dia todo filosofando e conversando sobre as suas ideias. Paulo não queria ser mais um deles. A maioria deles cobravam para ser ouvidos, Paulo trabalhava para que as pessoas pudessem ouvir gratuitamente. E até fez uma coisa que eu acho que ele errou, não fez os tessalonicenses aderir ao sistema bíblico de dízimos e ofertas. Por quê isso? Para ser diferenciado dos outros mestres interesseiros e para ensinar a necessidade de se ocupar com trabalho. O contexto diz que o trabalho de Paulo não era suficiente para as coisas básicas dele, então ele recebia ofertas de outras igrejas para poder servir os tessalonicenses. Se a tradição de Paulo fosse para todos, então a igreja não poderia coletar ofertas, condenaria os idosos, inválidos e crianças da primeira infância à fome e ao inferno porque não poderiam trabalhar. Não é normativo. Em coríntios, Paulo disse que o costume do véu não era usado em outras igrejas. Então havia tradições locais, sim, senhor. Não estou dizendo que o sacerdócio, o ministério profético ou rabínico é errado, até mesmo o magistério católico não é ruim em si mesmo. Não é isso. A questão é levar as pessoas a confiar na tradição produzida sem questionar. Os israelitas da época de Jesus confiavam no Sinédrio e muitos se opunham a Jesus por causa dessa confiança inabalável. Você mesmo disse que devemos ficar atentos porque existem tradições que anulam o mandamento de Deus, então qual deve ser a postura de quem está submisso ao magistério confiar totalmente ou analisar se está de acordo com o mandamento de Deus? Essa capacidade de questionar por si mesmo só é possível quando se têm uma referência inqustionável. E o que seria essa referência se o magistério pode falhar e a tradição também pode conter alguma coisa que contradiz os mandamentos de Deus? O que resta? Esperar um profeta se levantar falando em nome de Deus e repreendendo o erro? E quem pode validar o ministério desse profeta? Notou como Deus pensou perfeitamente na resolução desses problemas deixando as Escrituras como único ponto inquestionável. Procure aí e veja se há alguma crítica de Jesus às Escrituras. Havia desprezo de partes das Escrituras por parte do Sinédrio também. Lembra daquela parte em que João narra a reunião do Sinédrio à portas fechadas? Os membros disseram que da Galileia nunca veio um profeta, para tentar descredibilizar o ministério de Jesus. Mas havia Jonas, filho de Amitai, homem galileu, aquele que ficou três dias no peixe. Jesus até falou que deveriam crer em Jonas quando disse que deixaria o sinal de Jonas e os três dias de Jonas no peixe era semelhantes aos três dias que ele passaria sepultado. A tradição do Sinédrio os cegou até para as profecias claras que diziam que a luz viria da Galileia e muitas outras coisas sobre o Messias. Isso leva a crer que esses homens estavam se debruçando mais sobre o Talmude do que sobre as escrituras, esse é o mal da tradição sacralizada. Quer ter tua tradição, tenha, mas não é regra de fé e prática. A igreja decidiu o cânon ou simplesmente sabia quem foi inspirado por Deus para escrever ou quem não? É simples, meu irmão. O que Deus revelou por meio de profecia e levou os homens a registrarem, é inspirado por Deus. As pessoas começaram a considerar esse material, a preservá-lo, estudá-lo e ignorar o que era de procedência duvidosa. A liderança e os membros comuns estavam juntos nisso desde a época dos judeus. Depois do exílio, os escribas de Esdras, se não me engano, compilaram os escritos massoréticos. Houve outros documentos importantes para o judaísmo, inclusive o Tamulde, mas nada disso foi incluído naquele compilado especial. E você não me respondeu se crê no magistério judaico. Eu não creio, só creio na Bíblia e você? Crê que tem que engolir toda heresia que parte do Sinédrio Judaico só porque eles conservaram as Escrituras do Antigo Testamento. A tua resposta certamente traduz bem como o protestante vê quando a tradição tenta ser equiparada à Escritura. Então se a tradição é importante, você deveria voltar e estudar a tradição judaica também, porque senão você vai acabar se perdendo. A questão é confiar em homens e no apelo à autoridade. Claro que a autoridade deve ser respeitada, a Bíblia fala para respeitar e colaborar com os líderes. Mas o líder não é a fonte de verdade, ele pode se enganar e mesmo se opor claramente a Deus. Caifás e Anás eram homens ungidos e consagrados e se opuseram a Deus. Como vou saber se o meu líder não está fazendo o mesmo? Consultando o "Assim diz o SENHOR" na Bìblia. É óbvio que o tradicionalismo nunca vai te induzir a esse comportamento, mas saiba que está permitindo que outras pessoas ditem o que vocẽ vai crer, terceirizando a tua fé, dando uma procuração espiritual para um grupo de pessoas. Torça muito para eles estarem certos, irmão.
💬 1 replies

Thread context

Root: 5912a85d7cd4…

Replying to: ddb8b8fcbefa…

Replies (1)

☩ ✠ NVLLVOX ✠ ☩18d ago
Irmão, acho que chegamos no ponto central da divergência. Não é sobre desprezar ou não a Escritura, nem sobre respeitar ou não liderança. É sobre o que Cristo prometeu preservar ao longo da história. Você diz que a Escritura é o único ponto inquestionável. Mas surge uma pergunta: quem define, de maneira definitiva, o que a Escritura ensina quando há divergência? Você afirma que tradição pode errar e magistério pode falhar, e eu concordo que homens podem errar, é da natureza humana. A questão é se Cristo prometeu ou não uma assistência especial à Sua Igreja para que, no essencial da fé, ela não caísse em erro. Quando Jesus critica o Sinédrio, Ele não rejeita a autoridade de ensinar de Moisés. Em Mateus 23,2-3 Ele diz que os escribas e fariseus se assentaram na cadeira de Moisés e manda obedecer ao que ensinam, ainda que não imitem suas obras. Ou seja, Ele reconhece uma autoridade institucional, mesmo com líderes moralmente falhos. O problema não era a existência de autoridade, mas sua corrupção. Se toda autoridade pode falhar totalmente, então a promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja fica reduzida a indivíduos preservando textos, não a uma comunidade guardando a fé. Sobre o cânon, você diz que a Igreja “simplesmente reconheceu”. Mas reconhecer já é um ato de autoridade. Havia divergências nos primeiros séculos sobre Hebreus, Apocalipse e Tiago e diversos livros apócrifos. Em algum momento, a Igreja declarou oficialmente quais livros são inspirados e quais não. Se essa declaração pode estar errada, então a segurança do próprio Novo Testamento fica abalada. Se não pode estar errada, então há ao menos um ato magisterial assistido diretamente por Deus na história. Percebe o ponto? Ou a Igreja recebeu alguma forma de assistência especial para preservar o depósito da fé, ou ficamos dependentes da análise histórica individual de cada cristão para saber o que é Escritura. Não se trata de terceirizar a fé, mas de crer que Cristo não deixou Seu povo apenas com um texto, mas com uma Igreja viva e visível assistida pelo Espírito. Quero agradecer pelo diálogo. Foi um debate bastante profundo e intelectualmente edificante. Mesmo mantendo nossas convicções (afinal não irei mudar minha posição), aprendi bastante ao ouvir sua perspectiva e organizar melhor os meus próprios argumentos. Também queria pedir desculpas se antes fui um merda contigo, eu estou estressado ultimamente.
0000 sats